sexta-feira, 2 de maio de 2008

Entre o Cartaz e a Parede...

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi no entanto
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
(E conversamos toda a noite..).

Miguel Torga, in A Criação do Mundo – O Quarto Dia

Poema dedicado aos alunos do 7º A e B que, pacientemente, me ouviram pregar sobre Pedro e “A Estrela”.
















- Mais para cima! Naaão!, prá direita!!!!!
E eu, empoleirado numa cadeira que me dava vertigens – sempre fui pouco dado a alturas, mesmo às mais diminutas! - de costas voltadas e nariz colado na parede, com os braços dormentes a pedirem piedade, continuava a seguir as indicações da professora Fernanda:
- Já está? – balbuciei, quase num tom de quem está para desfalecer.
- Ó Gilberto, agora deixaste descair demais. Sobe, sobe... assim, aí mesmo! Aí é que é! Ai essa tua falta de jeito! Francamente! Vá, não te mexas agora. Nem penses em baixar os braços!
Com a mesma postura de um assaltante apanhado em flagrante pela polícia, esperei que a professora Fernanda, numa rapidez demorada, sentenciasse com um pin o último cartaz, crucificando-o em definitivo, qual soldado romano.
- Olha, está ali um trabalho com a vida e obra de Miguel Torga; adoro Torga ! – revelou a Fernanda.
- Curioso, – disse eu - também é um dos meus poetas preferidos! Estou surpreendido que também gostes!
- Pois fica sabendo que aprecio muito a poesia de Miguel Torga. Tem palavras de grande beleza! Ficam-me na alma as frases simples e intensas que tem sobre a terra e o sentido que procura para a vida. Parece que faz parte de todas as coisas, entrando nelas. Mas também gosto do Diário e da Criação do Mundo – respondeu a minha colega. E sem que eu tivesse tempo para intervir, a minha colega fez questão de deixar claro que aprovava totalmente que um dos alunos se tivesse lembrado do poeta transmontano. Que Torga andava meio esquecido e a sua escrita mal aplaudida, lá isso andava!!! Eu também estava perfeitamente de acordo! Na verdade, a Literatura não deveria ser vista como uma mera passagem de modelos.
- Pois, as modas também chegam à literatura. Algumas pessoas, às vezes, quando pegam em alguma coisa para ler, procuram o “chique” e o que está na berra. Só porque fica bem andar a ler o autor X ou Y. – lamentei.
- Olha lá, tu é que podias dar Miguel Torga na unidade do texto poético! – atirou, sem hesitar, a Fernanda.
- Boa, a poesia vai ser a matéria que se segue; talvez peça aos miúdos que declamem uns poemas dele! – disse eu, já a tentar fermentar ideias.
- E podíamos...
<<<>>... a nossa “amiga” campainha tornou a ditar a sua lei, de forma irritante, e não deixou que se ouvisse a frase que a professora Fernanda tinha guardada. Aposto que lhe ia sair algo mais da manga.
Mas nem tudo se perdeu: desta vez não houve correrias, barulhos ou voragem. Nem mesmo leites achocolatados interrompidos, ou bolos deliciosos a serem mastigados, a caminho do seu destino. Pelo contrário, dirigimo-nos os dois calmamente para as salas, certamente a pensar que Miguel Torga, desta vez, não ficaria só na exposição dos cartazes de autores do sétimo A.
- Até logo, Gil!
- Xauzinho, Fernanda. Boa aula!
Professor Gilberto Rocha

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Concurso «A página perdida»

Vai à biblioteca, lê o texto que está exposto e, de entre os livros seleccionados, descobre a que obra pertence a página perdida.
Assim que descobrires, clica em Comentários, no fim deste post, e dá a tua resposta.
Concorre já!!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Escritores de Língua Portuguesa na nossa biblioteca

Os alunos do 7ºB realizaram pesquisas sobre alguns autores que escrevem no nosso idioma. Os trabalhos, realizados no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa, estão expostos na biblioteca.



sexta-feira, 4 de abril de 2008

Poema



























O 9º A inspirou-se em “Nocturno”, de David Mourão-Ferreira, para produzir em conjunto este poema que ofereceu à BE, durante a Semana da Leitura.

Variações sobre um “Nocturno”

Era, nos meus olhos, o espelho dos teus.
Era, na solidão, o meu coração a abrir-se.
Era, na escuridão, a sombra das lágrimas perdidas.
Era, na noite escura, a censura.

Era a noite mais quente deste Verão.
Era a certeza de ficar sem ti.

Era, no fundo de uma rua, que soavam os passos.
Eram, num rio estreito, barulhos barulhentos.
Era, no estádio, barulhos de emoção.
Era, na noite assombrada, que eu ouvia o teu coração.

Era a noite mais quente deste Verão.
Era a certeza de ficar sem ti.

Eram, naquela calçada escura, os passos audíveis.
Eram, na virtude do pensamento, mil ideias que surgiam.
Era, numa noite linda, uma lua a brilhar.
Era, nos teus olhos, o reflexo da solidão.

Era a noite mais quente deste Verão.
Era a certeza de ficar sem ti.

Era, nas minhas lágrimas secas, a profunda dor de não te ter.
Era ver, sem ter olhos.
Era, no fim, mais uma vida acabada.
Era, pelo mundo, apenas mais uma passagem.

Era a noite mais quente deste Verão.
Era a certeza de ficar sem ti.

Era, no oceano profundo, o grito de fundo.
Eram, em sonhos profundos em vão, palavras escurecidas no meu coração.
Era, na erva pura, uma vaca a comer, o sol a nascer.
Era, na aldeia escura, o som da água a correr.

Era a noite mais quente deste Verão.
Era a certeza de ficar sem ti.

Era, no céu brilhante, um planeta vazio.
Era, no brilho dos teus olhos, o teu sorriso contente.
Era, nessa noite de Verão, sentir o meu coração.
Era, no planeta escuro, que não se via o futuro.

Era a noite mais quente deste Verão.
Era a certeza de ficar sem ti.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A frase do mês de Abril

“Jamais desesperes, mesmo perante as mais sombrias aflições da tua vida, pois das nuvens mais negras cai chuva límpida e fecunda.”
Provérbio chinês

Dia Internacional do Livro Infantil




O Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se a 2 de Abril, data do nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

PARA O DIA 2, A EQUIPA DO CENTRO DE RECURSOS SUGERE AOS PAIS:

Leve o seu filho a uma livraria e ofereça-lhe um livro;

 Leve o seu filho à Biblioteca Municipal e ajude-o a requisitar um livro adequado à sua idade;

 Leia-lhe um livro ou conte-lhe uma história e...boas leituras!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sugestão de Leitura


O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão,de Eric Emmanuel Schmitt


Quem não ouviu já o provérbio “Quem vê caras não vê corações”?
Tal princípio podemos aplicar quando pegamos num livro que não é conhecido como um “best-seller”, ou que alguém nos diz que gostou, e não nos parece despertar qualquer interesse!
Vou falar sobre um dos últimos livros que li, e me surpreendeu logo que folheei algumas das suas páginas, O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão, que conta a história de Moisés, mais conhecido por “Momo”, um menino judeu de 12 anos, que viveu em Paris, nos anos 60.
Momo partilha connosco a história da sua infância, fruto de uma educação muito rígida de seu pai, um advogado judeu, desprovido de amor, que não tinha amigos e que via as pessoas com desconfiança e desprezo, que tinha no filho o seu escravo e que o estava sempre confrontando com a perfeição de seu irmão mais velho (inexistente, mas fruto da imaginação de seu pai).
Um dia começa uma grande amizade com o Senhor Ibrahim, o merceeiro da rua, que apelidado de árabe, era apenas muçulmano, um homem reservado, que vivia também na solidão da sua viuvez, e fez com que Momo visse nele a figura de um pai que lhe ensina como é o amor, o sorriso, a beleza do Mundo e da Vida.
Abandonado por duas vezes: quando nascera, pela mãe; e ao chegar à adolescência, pelo pai, que depois se suicidou, e lhe assombrava a vida; foi o Senhor Ibrahim que lhe contou que seu pai perdeu os pais quando era muito novo, que foram apanhados pelos nazis e morreram nos campos, e que talvez por isso nunca tenha conseguido ser feliz.
Momo foi ter com o Senhor Ibrahim e disse-lhe a brincar:
“Então, quando é que me adopta?”
E este respondeu, divertido.
“Mas meu pequeno Momo, já amanhã, se quiseres!”
E foi então o culminar de uma grande amizade (de pai e filho), com uma delicadeza e uma subtileza emocionantes, que acaba com uma história doce até a morte os separar, e ao mesmo tempo fazer de Momo um homem corajoso, que mostra que a amizade e o afecto não têm religião, raça ou continente.

(Vicência Boto – 12º ano)